​O Peso da Autenticidade

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Reflexões sobre identidade, escolhas e o desafio de viver autenticamente

​ Nos últimos dias tenho vivido uma grande conexão comigo mesmo e isso afeta diretamente meu modo de vida. No sentido de, ao estar mais próximo e conectado com a minha própria identidade como nunca estive antes, acreditei que muitos dos meus problemas seriam resolvidos, mas me enganei.

Acho que, depois de anos vivendo uma performance (uma interpretação de personalidades multivariadas), agora que finalmente me conectei com a minha própria, os reais problemas — que nas outras personalidades eram apenas algo menos relevante — se tornaram o grande desafio de vida.

A Queda das Máscaras

Algumas coisas precisam estar claras antes de qualquer tentativa de entendimento sobre o que está acontecendo no operacional da vida, na práxis, nas pequenas decisões e nas escolhas. Primeiro, consigo me enxergar como um ser muito reflexivo e que adora produzir conhecimento abstrato. Ou seja, nada que possua em si materialidade física. São ideias, reflexões, questionamentos e observações sobre o mundo. Também sou aficionado por aprender coisas novas e costumo estar genuinamente interessado em todo e qualquer tipo de conversa sobre inovações.

Colocar esse ser para viver a vida na realidade atual é um desafio, e esse desafio muito me interessa; porém, é preciso fazer escolhas sobre o que vai ser feito e como vai ser feito. Essas escolhas são difíceis por quê? Dinheiro? Falando de dinheiro, eu entro em um limbo que mistura falta de fé na minha própria personalidade e na maneira como viver e fazer dinheiro com a minha característica, e a necessidade de dinheiro para a vida em sociedade.

Eu quero ganhar dinheiro, sei como ganhar, mas não quero que seja da forma como eu já descobri antes. Ou seja, não quero que seja com tecnologia e nem com trabalhos não intelectuais (vou colocar dessa forma). Estou preso num ciclo que mistura a minha baixa confiança com baixa autoestima e completa inexperiência. Baixa confiança no processo ou no futuro em si. O que "me salva" (mas isso é questionável) é que eu sinto e acredito, bem lá no fundo do meu ser, que essa é a coisa que eu deveria fazer; mas, por tantas incertezas, o medo me toma.

A baixa autoestima se mistura com a confiança: o medo de não ser compreendido, o medo de ser taxado como apenas preguiçoso, o não entendimento do real significado que eu represento no mundo. Algo importante e irrelevante ao mesmo tempo. Por fim, a completa inexperiência acaba, de certa forma, me fazendo evoluir num ritmo que vejo ser incompatível com o meu próprio jeito de ser. A minha falta de experimentar, de arriscar e de tentar também me incomoda, e eu vejo que isso está diretamente relacionado com os itens anteriores.

O Labirinto do Cotidiano

Falando agora de maneira direta, sinto falta do que fazer no meu dia a dia; estou cansado de usar o futebol, a masturbação e o cochilo como válvulas de escape dos meus afazeres. A verdade é que eu tenho muitas ideias, mas estão todas divergentes. Ainda sinto muito medo de me jogar nas ideias da minha personalidade própria e por isso vou tateando-as bem devagar, sempre observando se é isso mesmo, verificando se tenho certeza do que estou fazendo (mesmo que eu não tenha).

Na verdade, para me conectar a ela, eu utilizo a sensação de "gostar" do que eu estou fazendo porque eu, bem internamente, gosto; aquilo profundamente me atrai. E fazer isso é meio cansativo, para falar a verdade, porque tenho que buscar muitos sentimentos para ver se é isso mesmo. Por outro lado, tarefas corriqueiras como arrumar a cama, tarefas domésticas, autocuidado, coisas que gostaria de fazer como hobby (como mexer no carro ou implementar várias coisas no computador), tudo isso entra em outro ciclo de análise que, apesar de se conectar com o primeiro, fica em segundo plano e até por isso são menos feitas.

Ou seja, existe uma dificuldade prática de decidir se devo instalar um programa novo no meu PC, arrumar minha cama ou mexer em alguma parte do meu carro. Tudo isso eu não sei se é porque ainda não contei para os meus pais que quero e vou mudar de vida profissional; se é porque, dentro dessa nova vida profissional, eu não sei o que fazer (e por isso nem por onde começar ou o que começar a fazer eu sei); ou se é uma ansiedade sobre isso tudo. Se essa minha personalidade nova quer ser pobre (o que eu acredito que não), mas devido à falta de perspectiva e ao excesso de fé, eu não me movimento da maneira como achei que me movimentaria. Enfim, tudo isso me deixa sem fazer nada o dia todo.

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Pedro (ツ)

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Curioso por natureza • tecnologia, consciência e sentido • pensamento crítico • aprendizado contínuo • entre dados, ideias e pessoas

Escrevo uns trem aqui:
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📍Belorizonte - Minas Gerais

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